quinta-feira, 22 de março de 2012

A voz azul do que se torna mudo, o silêncio do que grita aos sete cantos. Ria.

Quebre o silêncio. Quebre as correntes. Quebre meu coração outra vez.


Você caminhava a cinco metros de distância, mas nem nas curvas fugia de meu olhar, era meu alvo, sempre fora, e sabia disso, sabia tanto quanto eu, mas escondia de mim o brilho dos teus olhos embaixo daquela lente preta barata só para não me mostrar teu medo. Teu medo de mim. Teu medo de minha mão roçando na tua nuca, de meus lábios encaixados nos teus, da minha perna subindo em tua cintura. Teu medo de sentir-se fraco outra vez na frente de uma mulher. Ingênuo, tenta desviar para uma rua movimentada, mas meu olho ainda te captura nítido na multidão. Teu cabelo macio é notório, meu querido, tua pele delicada é cintilante. Doce, teu andar desconsertado me encanta. Teus passos fujões e o movimento que os teus braços riscam no ar é muito mais sentimentalista do que imagina. É muito mais do que você me disse quando foi embora. Teus trejeitos falam mais do que a voz que sai da tua garganta desnuda, portanto, cale-se.


Quebre o silêncio e ouça o barulho incessante dos meus pensamentos. Quebre as correntes que amarram nossa distância, levando você para longe de mim. Quebre meu coração; refaça, desfaça.

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